poéticasurbanas
por Rodrigo Vianna A Comissão da Verdade nem foi instalada, e o clima já esquentou. Dezenas, na realidade centenas de militares se insubordinaram, lançando um manifesto contra Dilma e o ministro da Defesa, Celso Amorim. Um manifesto co
MANHÃ

aurora   tardia

                            opaca de risos

 

cortar   o   grito

                                    das   pedras

 

um relógio permanece

                        no  mesmo instante:

 

a    mancha  de Picasso

 

ilumina

                              as raízes

 

submerge          

                       cometas

 

       fragmentos

                                      de   azul

 

calam             

                     o vento chumbo

            aurora  serpente

 

cava                 janelas

 

no horizonte

 

 

Amarrar najas na claridade

                                    das entranhas

            e  macerar as alcovas tardias

                     num pote de manhãs

O corpo           das terras amargas

pende no Sol

                          feito andorinha de cristal

 

Amarrar najas

                             em sopas de quimeras

pensa o albatroz de estrelas

              ao beijar o sexo de uma orca translúcida

A sombra esmeralda

                    esquece as línguas

na praça da sé.

 

O lingüista estadunidense Noam Chomsky elaborou a lista das “10 estratégias de manipulação” através da mídia: o elemento primordial do controle social é a estratégia da distração que consiste em desviar a atenção do público dos problemas importantes e das mudanças decididas pelas elites políticas e econômicas.
Passava das 9 da noite dessa quinta-feira e, como acontece quando o “Jornal Nacional” traz matérias importantes sobre temas políticos, a redação da Globo em São Paulo parou para acompanhar nos monitores a “reportagem” sobre o episódio das
Tullius Detritus é um personagem inesquecível, na deliciosa série de quadrinhos de Asterix. Detritus é enviado pelos romanos para dividir os gauleses. Detritus é especializado em dividir. Onde põe a mão, há discórdia. Detritus lembra algum personagem da cena política brasileira?
Tão logo foram divulgados os insultuosos números do Ibope, levantando a hipótese perversa da vitória de Dilma no primeiro turno, esse blog lançou o aviso: o Brasil está a um passo da ditadura lulo-comuno-dilmo-petista! Diante da gravidade do momento, sacrificamos as horas de aconchego junto à sagrada família, para colher as impressões do país sobre a intolerável pesquisa.

uma flor de mandrágoras

             

                       vestida de terras azuis

enlaça o   espaço das gavetas

                     e  baila

nas  linhas

                  de uma ode

beija o céu

               vozes

                          rompem   os olhos

uma flor de mandrágoras

                   claridade         negra

persiste  

inquieta solidão   de    acasos

cindir              o espaço

                      do           verso

            rocha

                               que brota

de um vulcão

                              de colibris

a boca

               borboleta de marfim

pousa

quietamente

                           num sol

de acarás bandeiras

aberto          

                   no silêncio

                            das   noites

Labirintos da Solidão II

Entardecer de velha cepa cai sobre a cidade esgarçada por rios imundos. As vozes amedrontadas das varandas buscam horizontes amarelos enquanto as quimeras dançam como tempestades de colibris mortos. A dor, estranha companheira, veste-se de sorrisos e passeia, solene, nas avenidas de abutres abertas no crepúsculo. Os anjos tortos e caídos dançam com as travestis, os demônios celebram os salvadores, as baratas de nuvens percorrem as casas das famílias respeitáveis e ilibadas. Os olhos surdos são perfurados por luzes e um caleidoscópio de intrigas revela imagens no fundo das taças de vinho…

Entardecer de estranhas mães carregando sonhos envelhecidos onde a fumaça de um cigarro desenha víboras que devoram certezas amanhecidas, como um mendigo à arrastar-se pelos becos e beiras numa noite de chuva. Esta dor resvala em cantos negros, de onde brotam insanas palavras vestidas de dúvidas…

Entardecer nas ruas cinzentas da solidão, quando os pássaros voam cingindo os azuis e se abrem qual livros de melancolia, como um poema de silêncios e lágrimas, quando todas as bestas do apocalipse dançam com os arautos do senhores e matam as nascentes…

Uma dobra do tempo

         venda

                  o topázio cinza de risos

Vitais cetros

         caem no  

                                   horizonte

O zelador 

                           de  esferas

cantarola  em  aramaico

a  morte dos deuses

Um   grilo

                ametista

derruba muros

                                     inquietos

ser ou not to be

                                     surreal

 

o cão de mandrágoras

                   espia

a vida

                    e

mastiga   rosas

                                  de asfalto.